O pior abismo para se cometer um suicídio é aquele que você guarda dentro do peito cheio de saudades. Há um nome específico para ele - o meu se chama amor, qual o apelido do seu?
“É bom,
às vezes se perder
sem ter porque
sem ter razão.”
Los Hermanos.
“É curioso que a vida, quanto mais vazia, mais pesa.”
Céu.  
“Eu poderia escrever uma história sobre isso. Um livro enorme com setecentas páginas com palavras miúdas impressas contando a tragédia que é estar viva agora. É uma condição, eu sei. Não estar morrendo, mas em contra partida não estar vivendo. Às vezes eu só queria poder fazer algo a respeito porque a sensação de estar presa dentro de mim mesma, e de não encontrar nenhuma brechinha pra sair, é dolorosa. Eu tomo banhos. Às vezes oito vezes por dia. Esfrego o corpo inteiro, esfolo a pele, lavo os cabelos até criarem pontas duplas, mas a alma não quer sair. Tiro as roupas e ando pela casa tentando me tirar de mim. Nada adianta, e eu não culpo a vida nem ninguém por estar assim. Foi uma escolha, um caminho sem volta, uma rua sem saída que eu entrei. Fechei minhas portas pra que mais ninguém entrasse e bagunçasse as minhas coisas, mas agora tá tudo arrumado demais. Tá tudo limpo e organizado em uma proporção que me sufoca. Eu sinto falta de ser transparente. De deixar todo mundo entrar e sair e não me importar com isso porque amar era bom demais pra perder tempo cobrando permanência. Eu sinto falta dos amigos que eu fui perdendo inevitavelmente pelo caminho - vezes por estupidez da minha parte, eu admito. Saudade é pra quem ama, sentir falta é pra quem perde alguma coisa. E eu sinto, eu sinto demais, eu sinto mais do que eu queria sentir. E é ainda pior quando as chances de recuperar o que se foi perdido escapam pelos dedos com o passar do tempo. A vida colocou oportunidades na minha frente, mas eu estava estagnada, fadigada, e exausta demais para fazer algo a respeito. E o tempo correu veloz com a astúcia de ser sempre quem vence as corridas mais longas. E então a bandeira branca é levantada: precisa-se de paz. Mas a paz também dói, e dói bem fundo. As lembranças não morrem na guerra, mas tudo bem lembrar. Tudo bem se lembrar das risadas que fizeram doer o estômago, porque não tem coisa mais gostosa do que isso no mundo. Mas depois só lembrar não adianta porque perder tudo é uma condição permanente. Eu sinto falta, mas tanta, tanta falta que nas noites mais tristes respirar não é uma opção. Imagino um zíper nas costas e saio de mim mesma por algum tempo porque dentro de mim nesses momentos não é um bom lugar para se estar. O lado de fora também é bem ruim. Em carne viva, paralisada e com frio, eu já não sei mais: eu estou do lado de dentro ou do lado de fora?”
Lunara.
“Todos os dias eu voltei mais melancólico, irritável e indiferente aos sentimentos dos outros.”
Edgar Allan Poe.  
“Não vou cultivar tristeza, ficar sofrendo é besteira.”
Natiruts. 
“O meu vizinho do lado
Se matou de solidão
Ligou o gás, o coitado
Último gás do bujão
Porque ninguém o queria
Ninguém lhe dava atenção
Porque ninguém mais lhe abria
As portas do coração
Levou com ele seu louro
E um gato de estimação
Há tanta gente sozinha
Que a gente mal adivinha
Gente sem vez para amar
Gente sem mão para dar
Gente que basta um olhar
Quase nada
Gente com os olhos no chão
Sempre pedindo perdão
Gente que a gente não vê
Porque é quase nada.”
Vinícius de Moraes.