Se ela te fala assim, com tantos rodeios, é pra te seduzir e te ver buscando o sentido daquilo que você ouviria displicentemente. Se ela te fosse direta, você a rejeitaria.
“O Luiz era o meu melhor amigo e minha maior angústia foi nunca ter escrito nada pra ele. Nem que fosse pra o detonar, xingar ou mandar pro além. Nada. Nenhum papelzinho amassado, guardanapo ou cupom fiscal. Não que seja muito importante, mas bom, foi a minha marca mais dolorida. Então vamos lá! Apresento-lhes o garoto mais responsável-otário que já conheci (e apresento também esse novo adjetivo composto, criei agora). O Luiz tinha esse nome de bocó, mas na realidade mesmo, ele era o dobro disso. Talvez eu gostasse dele porque ele me ensinou ondas eletromagnéticas, que na época, era o meu foco. O cara era fera, não é a toa que hoje escuto boatos do sucesso em aprovações nas faculdades. Bom pra ele. Seu sonho sempre foi ir pra Aracajú e deixar tudo o que tinha aqui na cidade do interior. Toda vez que eu ouvia esse plano me partia o coração que eu nem tinha… Talvez eu gostasse dele porque ele me apresentou Engenheiros do Hawaii e a partir disso o amor cresceu. Talvez porque minha mãe enchia meu juízo de farofa que ele era uma boa pessoa. Diferente do meu pai que sempre odiou ter que busca-lo somente pra que eu matasse a saudade já que pelo mau destino, morávamos a quilômetros um do outro… Não que isso impedisse de algo. Por sorte (ou azar), estudávamos no mesmo colégio. Os 15 minutos de intervalo eram suficientes (na verdade não) para que o dia se renovasse e começasse novamente. Não sei se era loucura ou o lanche vencido da cantina, mas o sol realmente brilhava mais forte. Sentia um nojo enorme de quem perguntava se a gente namorava. Ô queridos, se fosse pra namorar eu estava beijando no outro lado da rua em frente ao colégio, se ligou?! Não que nosso chamego fosse pouco, mas não! E no cinema? Senti-me “A” amiga porque paguei o ingresso dele de um filme que odiei, mas me sentia bem por vê-lo tão entretido. Na verdade não, como nesse texto estou longe de mentiras (diferente de um tempo atrás), em diversos momentos me senti entediada. Assisti há algumas semanas seu depoimento mais que improvisado no dia do meu aniversário de 15 anos. Senti um misto de vergonha alheia, nostalgia e embrulho no estômago. Relembrei também meu buquê de 6 rosas… Foi legal… Encontrei também umas conversas onde ainda usávamos viber (e adorávamos!!!) e suas inúmeras promessas quebradas e dilaceradas. Lembrei da nossa tag num site qualquer, com o nosso apelido que hoje em dia pode ser considerado clichê, mas era só nosso. Mas o Luiz sempre foi meio imprevisível. Apesar de saber desde a hora do seu nascimento até o tamanho do seu pé ou qual joelho era defeituoso, ele sempre chegava com uma ideia nova. E louca. Tipo admirar o mormaço de 40ºC às 12:20. Ensinou-me física, química, matemática, a segurar choro, morrer de raiva, enlouquecer de amorizade (e daí se eu tenho meu próprio dicionário?), ignorar o mal e criar juízo. Meu respeito para com a família foi ele. Minha melhora em exatas e o gosto pelas matérias foi ele. Meu sorriso matinal foi ele. Meu lado sensual (ainda pouco explorado e quase inexistente) foi ele. Pra Ser Sincero foi ele e é pra ele. Tudo o que me fez feliz durante um bom tempo foi ele. E, ainda assim, nunca, nunquinha, eu escrevi sequer uma palavra sobre ele. Até agora, que é quando finamente, eu deixo tudo escrito acima, longe de mim. Menti muito, forjei sentimentos, ignorei laços. Mas hoje, mudada, eu venho cumprir a ultima promessa que lhe fiz no dia do seu aniversário: tentar manter contato até quando pudesse. Fiz essa promessa mais por mim. Eu precisava disso, precisava de você. Mas… Li uma frase tem alguns dias: “Quem não te procura, não sente sua falta. Quem não sente sua falta, não te ama. O destino determina quem entra na sua vida, mas você decide quem fica nela. A verdade dói só uma vez. A mentira dói cada vez que você lembra”. Agora, quase 12 de julho, você deixa de ser a minha saudade mais doída e passa a ser só mais um estudante de uma instituição católica onde também faço parte que assim como todos os outros, mereceu um texto meu.”
BMoreiracoração na mão como o refrão de um bolero. 
“Mas querido amigo, o problema é que esperam demais de mim, e eu não sei como retribui o meu melhor, pois eu ainda estou aprendendo a me conhecer, aprendendo minhas fraquezas, minhas virtudes. E o que sou hoje, pode não fazer sentindo amanhã, mas mesmo assim, ele me obrigam a ser quem não sou. Querem ver minha força, mas eu não sou forte, se ao menos eles tentassem me entender, percebessem que eu choro todas as noites, que eu tenho medos imbecis, que eu não sei responder aquelas questões da vida, que quando pega de surpresa eu travo, eu nunca sei o que fazer, o que falar, e que sempre que sou colocada a escolher algo, eu tenho a tendencia de escolher o errado. Diz pra eles, caro amigo, que eu ainda tô engatinhando, que não sei de nada disso que eles chamam de vida. Mostra pra eles os meus erros. Diz pra eles, que não criem muito expectativas comigo, pois costumo sempre decepcionar.”
Resquícios de uma carta perdida. 
“É isso, sei lá, mas acho que amo você. Amo de todas as maneiras possíveis. Sem pressa, como se só saber que você existe já me bastasse. Sem peito, como se só existisse você no mundo e eu pudesse morrer sem o seu ar. Sem idade, porque a mesma vontade que eu tenho de te comer no banheiro eu tenho de passear de mãos dadas com você empurrando nossos bisnetos. E por fim te amo até sem amor, como se isso tudo fosse tão grande, tão grande, tão absurdo, que quase não é. Eu te amo de um jeito tão impossível que é como se eu nem te amasse. E aí eu desencano desse amor, de tanto que eu encano. Ninguém acredita na gente: nenhum cartomante, nenhum pai-de-santo, nenhuma terapeuta, nenhum parente, nenhum amigo, nenhum e-mail, nenhuma mensagem de texto, nenhum rastro, nenhuma reza, nenhuma fofoca e, principalmente ou infelizmente: nem você. Mas eu te amo também do jeito mais óbvio de todos: eu te amo burra. Estúpida. Cega. E eu acredito na gente. Eu acredito que ainda vou voltar a pisar naqueles cocôs da sua rua, naquelas pocinhas da sua rua, naquelas florzinhas amarelas da sua rua, naquele cheiro de família bacana e limpinha da sua rua. Como eu queria dobrar aquela esquininha com você, de mãos dadas com os pêlos penteados de lado da sua mão. Outro dia me peguei pensando que entre dobrar aquela esquininha da sua rua e ganhar na mega-sena acumulada, eu preferia a esquininha. A esquininha que você dobrou quando saiu da casa dos seus pais, a esquininha que você dobrou chorando, porque é mesmo o cúmulo alguém não te amar. A esquininha que você dobrou a vida inteira, indo para a faculdade, para a casa dos seus amigos, para a praia. Eu amo a sua esquininha, eu amo a sua vida e eu amo tudo o que é seu. Amo você, mesmo sem você me amar. Amo seus rompantes em me devorar com os olhos e amo o nada que sempre vem depois disso. Amo seu nada, apenas porque o seu nada também é seu. Amo tanto, tanto, tanto, que te deixo em paz. Deixo você se virando sozinho, se dobrando sozinho. Virando e dobrando a sua esquininha. Afinal, por ela você também passou quando não me quis mais, quando não quis mais a minha mão pequena querendo ser embalsamada eternamente ao seu lado.”
Tati Bernardi.  
“O sofrimento é opcional. E eu optei por sofrer já que ser feliz é trabalhoso e eu sou muito sedentário. Vai ser feliz você, vai viver outro amor você. Me deixa aqui com meus olhos marejados e inchados. Me deixa sofrer porque quem ama sofre. Eu sofro pelo que ouso sentir por você.”
Querido John.